segunda-feira, 16 de maio de 2011

Biblioteca CMS - Alunos 7º Ano

Biblioteca do CMS- Alunos 7º Ano
O ato de realizar pesquisas é fundamental para a disciplina de História. Em vários momentos os alunos são convidados a realizar pesquisas. Algumas fotos dos alunos do sétimo ano na Biblioteca do CMS/2011.





















 

domingo, 15 de maio de 2011


República das Oligarquias


1. Conceito
* República Oligárquica é o termo utilizado para denominar o período entre 1894 e 1930, em que o Brasil foi governado por grupos ligados ao café.
* O termo “Oligárquica” significa que o poder estava concentrado num grupo pequeno, uma elite. Neste caso, a elite cafeeira.
* Este período, juntamente com a República da Espada, faz parte da República Velha.

2. Os donos do poder I
* Com o fim do governo dos militares, em 1894, o Brasil passou a ter presidentes vinculados a grupos cafeeiros.
* Neste período, a maioria dos presidentes eleitos ou eram de São Paulo, que produzia o café, ou Minas Gerais, que produzia leite.
* Por este motivo, o revezamento de presidentes escolhidos entre São Paulo e Minas Gerais, ficou conhecido como Política do Café-com-Leite .
* Os presidentes , durante este período, foram: Prudente de Morais, Campos Sales, Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Venceslau Brás, Delfim Moreira, Epitácio Pessoa, Artur Bernardes, Washington Luís, Júlio Prestes.

3. Os donos do poder II
* A Política do Café-com-Leite está relacionada com uma troca de favores políticos entre o governo federal e o estadual, denominada Política dos Governadores .
* Em algumas cidades do interior, em especial no Nordeste, vigorava a prática do Coronelismo . Coronel era o nome que se dava a alguém que, por seu poder, influenciava na política local.
* Sendo o voto não-secreto, e através da violência ou suborno, os coronéis geralmente conseguiam eleger os políticos de sua preferência.
* Este ato é denominado “ voto de cabresto ”, pois ia de acordo com a vontade dos coronéis.

4. Movimentos sociais
* A República Oligárquica foi um período turbulento, sendo que várias revoltadas sacudiram o país.
* No geral, estas revoltas mostravam insatisfação diante de um sistema de governo que alterava muito pouco as condições de vida da população.
* Entre as principais estão: Guerra de Canudos, Guerra do Contestado, Revolta da Vacina, Revolta da Chibata, Cangaço e Tenentismo.

5. Guerra de Canudos
* A Guerra de Canudos ocorreu entre 1896 e 1897, na Bahia.
* O arraial de Canudos foi criado sob a liderança de Antônio Conselheiro, e agregava famílias pobres do sertão baiano.
* O movimento tinha caráter coletivista, messiânico e monarquista. Conselheiro atribuía à República os males que sofria a população brasileira.
* Considerando Canudos uma ameaça, o governo federal e estadual mandaram o exército para destruir o arraial. Porém, foram necessárias quatro expedições para vencer os sertanejos.

6. Guerra do Contestado
* A Guerra do Contestado ocorreu entre 1912 e 1916, numa região entre Paraná e Santa Catarina.
* Grupos de camponeses desta região se revoltaram com a concentração de terras, e com problemas ligados a construção de uma estrada de ferro. Esta estrada de ferro acabou desalojando parte da população local, além de gerar desemprego e monopólio da madeira.
* Neste cenário, José Maria conseguiu reunir várias pessoas, pregando o coletivismo e despertando o descontentamento dos líderes locais e do governo. Em certos aspectos, suas idéias foram semelhantes à de Antônio Conselheiro, em Canudos.
* Foram mais de três anos de luta entre tropas do governo e os camponeses, até a vitória do exército. Esta guerra é considerada a primeira a utilizar aviões.

7. Revolta da Vacina
* A Revolta da Vacina ocorreu em 1904, no Rio de Janeiro.
* Os motivos da revolta estão ligados à higiene precária no Rio de Janeiro, que facilitava a proliferação de doenças.
* Diante deste quadro, o médico Oswaldo Cruz assumiu o compromisso de acabar com a febre amarela e a varíola, decretando vacina obrigatória.
* O povo não aceitava ser vacinado a força, e se revoltou, transformando a então capital federal em um campo de batalha.
* A revolta também expressava a insatisfação da população devido ao desemprego, fome e a demolição de cortiços do centro da cidade, em nome da modernização.

8. Revolta da Chibata
* A Revolta da Chibata ocorreu em 1910, no Rio de Janeiro.
* Os motivos estão ligados aos castigos físicos a que eram submetidos alguns marinheiros, através de chibatadas.
* Diante do abuso nos castigos corporais, alguns marinheiros se revoltaram, liderados por João Cândido, conhecido como Almirante Negro.
* O então presidente Hermes da Fonseca prometeu, em troca do fim da revolta, o fim das chibatadas, e perdão aos marinheiros que se revoltaram.
* Porém, boa parte das promessas não foram cumpridas. Muitos marinheiros foram presos, entre eles João Cândido.

9. Cangaço
* O Cangaço ocorreu entre 1870 e 1940, no sertão nordestino.
* Originalmente, os cangaceiros estavam ligados aos interesses de um coronel.
* Porém, com o aumento da miséria no sertão, grupos de cangaceiros passaram a atuar de forma independente.
* Os cangaceiros eram considerados fora-da-lei e saqueadores, por uns, e justiceiros por outros. Alguns grupos do cangaço distribuíam mantimentos roubados a famílias pobres.
* Um dos grupos de cangaceiros mais famosos, foi liderado por Virgulino Ferreira, mais conhecido como Lampião.

10. Tenentismo
* O Tenentismo ocorreu entre 1922 e 1927, em diferentes localidades.
* Tinham, em comum, o descontentamento com o governo. De certa forma, tiveram influência no fim do poder nas mãos dos cafeicultores.
* A primeira revolta dos tenentes ocorreu em 1922, no Rio de Janeiro, e ficou conhecido como os “Dezoito do Forte”.
* A segunda revolta ocorreu em 1924, em São Paulo, liderados pelo general Isidoro Dias.
* A terceira revolta ocorreu de 1924 a 1927, e ficou conhecida como Coluna Prestes. Os revoltosos, liderados por Luís Carlos Prestes, percorreram mais de 10 estados brasileiros, incitando o povo contra o governo.
Por: Prof. Michel


Por: Jailson Marinho 
 
A República Velha está subdividida em dois períodos. A República da Espada, momento da consolidação das instituições republicanas, e a República Oligárquica, onde as instituições republicanas são controladas pelos grandes proprietários de terras.
A República da Espada (1891/1894)
Período inicial da história republicana onde o governo foi exercido por dois militares, devido o temor de uma reação monárquica. Momento de consolidação das instituições republicanas. Os militares presidentes foram os marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto.
GOVERNO DE DEODORO DA FONSECA
O governo de Deodoro da Fonseca é dividido em dois momentos, o governo provisório e o governo constitucional.
GOVERNO PROVISÓRIO (1889/1891)
Período que vai da proclamação da República em 15 de novembro de 1889 até a elaboração da primeira constituição republicana, promulgada em 24 de fevereiro de 1891.

Entre as principais medidas do governo provisório estão a extinção da vitaliciedade do Senado, a dissolução da Câmara dos Deputados, a supressão do Conselho de Estado, extinção do Padroado e do beneplácito, a separação entre Igreja e Estado, a transformação das províncias em estados, o banimento da Família Real.

Além disto, estabeleceu-se a liberdade de culto, a secularização dos cemitérios, criação do Registro Civil - para legalizar nascimentos e casamentos -a grande naturalização, ou seja, todo estrangeiro que vivia no Brasil adquiriu nacionalidade brasileira, e foi convocada uma Assembléia Nacional Constituinte, responsável pela elaboração da primeira constituição republicana do Brasil.
A CONSTITUIÇÃO DE 1891
Durante os trabalhos da Assembléia Constituinte evidenciaram-se as divergências entre os republicanos. Havia o projeto de uma república liberal - defendido pelos cafeicultores paulistas - grande autonomia aos estados (federalismo); garantia das liberdades individuais; separação dos três poderes e instauração das eleições. Este projeto visava a descentralização administrativa, tornando o poder público um acessório ao poder privado - marcante ao longo da República Velha.

O outro projeto republicano era inspirado nos ideais da Revolução Francesa, o período da Convenção Nacional e a instalação da Primeira República Francesa. Este ideal era conhecido como república jacobina, defendida por intelectuais e pela classe média urbana.

Exaltavam a liberdade pública e o direito do povo discutir os destinos da nação. Por fim, inspirada nas idéias de Augusto Comte, com bastante aceitação dentro do exército brasileiro, o projeto de uma república positivista. O seu ideal era o progresso dentro da ordem, cabendo ao Estado o papel de garantir estes objetivos.

Este Estado teria de ser forte e centralizado.
Em 24 de fevereiro de 1891, foi promulgada a segunda Constituição brasileira, e a primeira republicana. O projeto de uma república liberal foi vencedor.
Foram características da Constituição de 1891:
-instituição de uma República Federativa, onde os Estados teriam ampla autonomia econômica e administrativa;
-separação dos poderes em Poder Executivo, exercido pelo presidente -eleito para um mandato de quatro anos (sem direito à reeleição), e auxiliado pelos ministros; o Poder Legislativo, exercido pelo Congresso Nacional, formado pela Câmara de Deputados( eleitos para um mandato de três anos, sendo seu número proporcional à população de cada Estado) e pelo Senado Federal, com mandato de 9 anos, a cada três anos um terço dele seria renovado; o Poder Judiciário, tendo como principal órgão o Supremo Tribunal Federal.
-o voto era descoberto (não secreto), direto e universal aos maiores de 21 anos. Proibido aos soldados, analfabetos, mendigos e religiosos de ordens monásticas.
-ficava estabelecida a liberdade religiosa, bem como os direitos e as garantias individuais.
A Constituição de 1891 foi fortemente influenciada pelo modelo norte-americano, sendo adotado o nome de República Federativa dos Estados Unidos do Brasil. Nas "diposições transitórias" da Constituição ficava estabelecido que o primeiro presidente do Brasil não seria eleito pelo voto universal, mas sim pela Assembléia Constituinte.
O ENCILHAMENTO
Além da elaboração da Constituição de 1891, o governo provisório de Deodoro da Fonseca foi marcado uma política econômica e financeira, conhecida como Encilhamento.
Rui Barbosa, então ministro da Fazenda, procurou estimular a industrialização e a produção agrícola. Para atingir estes objetivos, Rui Barbosa adota a política emissionista, ou seja, o aumento da emissão do papel-moeda, com a intenção de aumentar a moeda em circulação.

O ministro facilitou o estabelecimento de sociedades anônimas fazendo com que boa parte do dinheiro em circulação não fosse aplicado na produção, mas sim na especulação de títulos e ações de empresas fantasmas.

A especulação financeira provocou uma desordem nas finanças do país, acarretando uma enorme desvalorização da moeda, forte inflação e grande número de falências.
Deve-se ressaltar que a burguesia cafeeira não via com bons olhos esta tentativa de Rui Barbosa em industrializar o Brasil, algo que não estava em seus planos.
GOVERNO CONSTITUCIONAL (1891)
Após a aprovação da Constituição de 1891, Deodoro da Fonseca eleito pela Assembléia- permaneceu no poder, em parte devido às pressões dos militares aos cafeicultores. A eleição pela Assembléia revelou os choques entre os republicanos positivistas ( que postulavam a idéia de golpe militar para garantir o "continuísmo" ) e os republicanos liberais.

O candidato destes era Prudente de Morais, tendo como vicepresidente o marechal Floriano Peixoto. Como o voto na Assembléia não era vinculado, Floriano Peixoto foi eleito vice-presidente de Deodoro da Fonseca. O novo governo, autoritário e centralizador, entrou em choque com o Congresso Nacional, controlado pelos cafeicultores, e com militares ligados a Floriano Peixoto.

Deodoro da Fonseca foi acusado de corrupção e o Congresso votou o projeto da Lei das Responsabilidades, tornado possível o impeachment de Deodoro. Este, por sua vez, vetou o projeto, fechou o Congresso Nacional, prendeu líderes da oposição e decretou estado de sítio.

A reação a este autoritarismo foi imediata e inesperada, ocorrendo uma cisão no interior do Exército. Uma greve e trabalhadores, contrários ao golpe, em 22 de novembro no Rio de Janeiro, e a sublevação da Marinha no dia seguinteliderada pelo almirante Custódio de Melo- onde os navios atracados na baía da Guanabara apontaram os canhões para a cidade, exigindo a reabertura do Congresso - forçaram Deodoro da Fonseca a renunciar à Presidência, sendo substituído pelo seu vice-presidente, Floriano Peixoto.
GOVERNO DE FLORIANO PEIXOTO (1891-1894).
Adepto do republicanismo radical, o "florianismo" virou sinônimo de "jacobinismo". Foi um defensor da força para garantir e manter a ordem republicana, recebendo o apelido de "Marechal de Ferro".

Floriano reabriu o Congresso Nacional, suspendeu o estado de sítio e tomou medidas populares, tais como a redução do valor dos aluguéis das moradias populares e suspendeu a cobrança do imposto sobre a carne vendida no varejo. Estas medidas, porém, estavam restritas à cidade do Rio de Janeiro.

Seu governo também incentivou a indústria, através do estabelecimento de medidas protecionistas -evidenciando o nacionalismo dos republicanos radicais. No entanto, este caráter nacionalista de Floriano Peixoto era mal visto no exterior, o que podia dificultar as exportações de café e os interesses dos cafeicultores.

O início da oposição à Floriano partiu em abril de 1892, quando foi publicado o Manifesto dos Treze Generais, acusando o governo de ilegal e exigindo novas eleições. Pela Constituição de 1891, em seu artigo 42, caso o Presidente não cumprisse a metade do seu mandato, o vice-presidente deveria convocar novas eleições. Floriano não acatou as determinações do artigo, alegando ter sido eleito de forma indireta.

Os oficiais que assinaram o manifesto foram afastados e presos por insubordinação.
Paralelamente, o Rio Grande do Sul foi palco de uma guerra civil, envolvendo grupos oligárquicos pelo controle do poder político.

Federalistas (maragatos), liderados por Gaspar Silveira Martins, contra os castilhistas (pica-paus), chefiados por Júlio de Castilhos, que controlavam a política do Estado de maneira centralizada. Floriano interveio no conflito, denominado Revolução Federalista em favor de Júlio de Castilhos. O apoio de Floriano aos castilhistas fez com que a oposição apoiasse os maragatos.

Em setembro de 1893, na cidade do Rio de Janeiro, eclode a Segunda Revolta da Armada, liderada pelo almirante Custódio de Melo. A revolta da Armada fundiu-se com a Revolução Federalista. A repressão aos dois movimentos foi extremamente violenta.
Após três anos de governo, enfrentando com violência as oposições, Floriano Peixoto passa a presidência à Prudente de Morais, tendo início a República das Oligarquias.
República das Oligarquias (1894/1930)
As oligarquias eram constituídas por grandes proprietários de terra e que exerciam o monopólio do poder local. Este período da história republicana é caracterizado pela defesa dos interesses destes grupos, particularmente da oligarquia cafeeira.

Os grupos oligárquicos vão garantir a dominação política no país, através do coronelismo, do voto do cabresto, da política dos governadores e da política de valorização do café.
A política dos governadores
Um acordo entre os governadores dos Estados e o governo central. Os governadores apoiavam o presidente, concordando com sua política. Em troca, o governo federal só reconheceria a vitória de deputados e senadores que representassem estes governadores. Desta forma, o governador controlaria o poder estadual e o presidente da República não teria oposição no Congresso Nacional.

O instrumento utilizado para impedir a posse dos deputados da oposição foi a Comissão Verificadora de Poderes : caso um deputado da oposição fosse eleito para o Congresso, uma comissão - constituída por membros da Câmara dos Deputados - acusando fraude eleitoral, não entregava o diploma. O candidato da oposição sofria a chamada "degola". No entanto, para manutenção de seu domínio político, no plano estadual, sob o apoio do governo central, as oligarquias estaduais usavam das fraudes eleitorais.

A política dos governadores foi iniciada na presidência de Campos Sales, e responsável pela implantação da chamada política do café-comleite.
A política do café-com-leite
Revezamento, no executivo federal, entre as oligarquias paulistas e mineiras. O número de deputados federais era proporcional à população dos Estados. Desta forma, os estados mais populosos - São Paulo e Minas Gerais -tinham maior número de representantes no Congresso.
Coronelismo e voto do cabresto
O sistema político da República Velha estava assentado nas fraudes eleitorais, visto que o voto não era secreto. O exercício da fraude eleitoral ficava à cargo dos "coronéis", grandes latifundiários que controlavam o poder político local ( os municípios ). Exercendo um clientelismo político (troca de favores) o grande proprietário controlava toda uma população ("curral eleitoral"), através do voto de cabresto.
Assim, o poder oligárquico era exercido no nível municipal pelo coronel, no nível estadual pelo governador e, através da política do café-com-leite, o presidente controlava o nível federal.
A política de valorização do café.
Durante a segunda metade do século XIX, até a década de 30, no século XX, o café foi o principal produto de exportação brasileiro. As divisas provenientes desta exportação, contribuíram para o início do processo de industrialização- a partir de 1870.
Por volta de 1895, a economia cafeeira passou a mostrar sinais de crise. As causas desta crise estavam no excesso de produção mundial. A oferta, sendo maior que a procura, acarreta uma queda nos preços prejudicando os fazendeiros de café.

Procurando combater a crise, a burguesia cafeeira - que possuia o controle do aparelho estatal -criou mecanismos econômicos de valorização do café. Em 1906, na cidade de Taubaté, os cafeicultores criaram o Convênio de Taubaté -plano de intervenção do estado na cafeicultura, com o objetivo de promover a elevação dos preços do produto. Os governadores dos estados produtores de café ( São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais ) garantiam a compra de toda a produção cafeeira com o intuito de criar estoques reguladores. O governo provocaria uma falta do produto, favorecendo a alta dos preços, e, em seguida vendia o produto.
Os resultados desta política de valorização do café foram prejudiciais para a economia do país. Para comprar toda a produção de café, os governos estaduais recorriam a empréstimos no exterior, que seriam arcados por toda a população; além disto, caso a demanda internacional não fosse suficiente, os estoques excedentes deveriam ser queimados, causando prejuízos para o governo - que já havia pago pelo produto!

Outro mecanismo da valorização do café, foi a política cambial de desvalorização do dinheiro brasileiro em relação à moeda estrangeira. Para quem dependia da exportação -no caso a burguesia cafeeira semelhante política atendia seus interesses: na hora da conversão da moeda estrangeira em moeda brasileira não havia perdas; porém, para quem dependia das importações -no caso a grande maioria dos brasileiros, visto que se importava quase tudo, principalmente gêneros alimentícios e roupas -esta política tornava os produtos estrangeiros muito mais caros.

A política de valorização do café, de forma geral, provoca o que se chamará de "socialização das perdas". Os lucros econômicos ficariam com a burguesia cafeeira e as perdas seriam distribuídas entre a população.

domingo, 8 de maio de 2011

Feliz Dia das Mães


A proclamação do regime republicano brasileiro aconteceu em decorrência da crise do poder imperial, ascensão de novas correntes de pensamento político e interesse de determinados grupos sociais. Aos fins do Segundo Reinado, o governo de Dom Pedro II enfrentou esse quadro de tensões responsável pela queda da monarquia.

Mesmo buscando uma posição política conciliadora, Dom Pedro II não conseguia intermediar os interesses confiantes dos diferentes grupos sociais do país. A questão da escravidão era um dos maiores campos dessa tensão político-ideológica. Os intelectuais militares e os órgãos de imprensa defendiam a abolição como uma necessidade primordial dentro do processo de modernização sócio-econômica do país.

Por um lado, os fazendeiros da oligarquia nordestina e sulista faziam oposição ao fim da escravidão e, no máximo, admitiam-na com a concessão de indenizações do governo. De outro, os cafeicultores do Oeste Paulista apoiavam a implementação da mão-de-obra assalariada no Brasil. Durante todo o Segundo Reinado essa questão se arrastou e ficou presa ao decreto de leis de pouco efeito prático.

Os abolicionistas, que associavam a escravidão ao atraso do país, acabavam por também colocar o regime monárquico junto a essa mesma idéia. É nesse contexto que as ideias republicanas ganham espaço. O Brasil, única nação americana monarquista, se transformou num palco de uma grande campanha republicana apoiada por diferentes setores da sociedade. A partir disso, observamos a perda das bases políticas que apoiavam Dom Pedro II. Até mesmo os setores mais conservadores, com a abrupta aprovação da Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel, começaram a ver a monarquia como um regime incapaz de atender os seus interesses.

A Igreja, setor de grande influência ideológica, também passou a engrossar a fila daqueles que maldiziam o poder imperial. Tudo isso devido à crise nas relações entre os clérigos e Dom Pedro II. Naquela época, de acordo com a constituição do país, a Igreja era subordinada ao Estado por meio do regime de padroado. Nesse regime, o imperador tinha o poder de nomear padres bispos e cardeais.

Em 1864, o Vaticano resolveu proibir a existência de párocos ligados à maçonaria. Valendo-se do regime do padroado, Dom Pedro II, que era maçom, desacatou a ordem papal e repudiou aqueles que seguiram as ordens do papa Pio IX. Mesmo anulando as punições dirigidas aos bispos fiéis ao papa, D. Pedro II foi declarado autoritário e infiel ao cristianismo.

Ao mesmo tempo, alguns representantes do poder militar do Brasil começaram a ganhar certa relevância política. Com a vitória na Guerra do Paraguai, o oficialato alcançou prestígio e muitos jovens de classes médias e populares passaram a ingressar no Exército. As instituições militares dessa época também foram influenciadas pelo pensamento positivista, que defendia a “ordem” como caminho indispensável para o “progresso”. Desta forma, os oficiais – que já se julgavam uma classe desprestigiada pelo poder imperial – compreendiam que o rigor e a organização dos militares poderiam ser úteis na resolução dos problemas do país.

Os militares passaram a se opor ferrenhamente a Dom Pedro II, chegando a repudiar ordens imperiais e realizar críticas ao governo nos meios de comunicação. Em 1873, foram criados o Partido Republicano e o Partido Republicano Paulista. Aproximando-se dos militares insatisfeitos, os republicanos organizaram o golpe de Estado contra a monarquia.

Nos fins de 1889, sob fortes suspeitas que Dom Pedro II iria retaliar os militares, o marechal Deodoro da Fonseca mobilizou suas tropas, que promoveram um cerco aos ministros imperiais e exigiram a deposição do rei. Em 15 de novembro daquele ano, o republicano José do Patrocínio oficializou a proclamação da República.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Ou Isto Ou Aquilo


Cecília Benevides de Carvalho Meireles (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964) foi uma poetisa, professora e jornalista brasileira.

sábado, 7 de novembro de 2009


O Canto das Três Raças

Clara Nunes



quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Manifestações Populares
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A Irmandade da Boa Morte é uma confraria religiosa afro-católica brasileira.

História

A história da confraria religiosa da Boa Morte se confunde com a maciça importação de escravos da costa da África para o Recôncavo canavieiro da Bahia, em particular para a cidade de Cachoeira, a segunda em importância econômica na Capitania da Bahia durante três séculos.

O fato de ser constituída apenas por mulheres negras, numa sociedade patriarcal e marcada por forte contraste racial e étnico, emprestou a esta manifestação afro-católica, como querem alguns autores, notável fama, seja pelo que expressa do catolicismo barroco brasileiro, de indeclinável presença processional nas ruas, seja por certa tendência para a incorporação aos festejos propriamente religiosos de rituais profanos pontuados de muito samba e comida. Há que acrescentar ao gênero e raça dos seus membros a condição de ex-escravos ou descendentes deles, importante característica social sem a qual seria difícil entender tantos aspectos ligados aos compromissos religiosos da confraria, onde ressalta a enorme habilidade dos antigos escravos para cultuar a religião dos dominantes sem abrir mão de suas crenças ancestrais, como também aqueles aspectos ligados à defesa, representação social e mesmo política dos interesses dos adeptos.
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domingo, 1 de novembro de 2009

BOA SEMANA









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O Professor Juliano Moreira nasceu a seis de janeiro de 1872 na Freguesia da Sé, hoje o centro antigo da cidade do Salvador, na Bahia. Seu pai, o português Manoel do Carmo Moreira Junior era inspetor de iluminação pública. Seu trabalho era verificar se os trabalhadores acendiam os lampiões de ferro pelas ruas e calçadas da cidade. Galdina Joaquim do Amaral, sua mãe trabalhava como doméstica na casa do Barão de Itapuã, Adriano Gordilho, renomado médico baiano. São escassos em seus limitados biógrafos os dados relativos à sua infância e meninice.
Desde o seu nascimento foi criado e conviveu sempre com a família do Barão de Itapuã, que se tornou seu padrinho. Fez seus estudos iniciais no Colégio Pedro II e depois se transferiu para o Liceu Provincial, na cidade do Salvador, na Bahia. Em 1886, manifestando extraordinária precocidade, se matriculava na Faculdade de Medicina da Bahia, berço do ensino médico no Brasil. Ainda cursando o quinto ano, em 1890, foi interno da Clínica Dermatológica e Sifiliográfica. Conclui seu curso e logo após sua formatura (1891), apresenta a tese "Sífilis Maligna Precoce" tornando-se depois referência mundial no campo da sifiligrafia. Passa a clinicar, num curto espaço de tempo, junto a Santa da Casa da Misericórdia, sendo médico-adjunto do Hospital Santa Isabel.

Após realizar concurso, em 15 de setembro de 1894, é nomeado preparador de anatomia médico-cirurgica, Mas neste período, sem remuneração, torna-se assistente da cátedra de Clínica Psiquiátrica e de Doenças Nervosas, iniciando-se a partir daí o seu aprendizado sobre as doenças mentais. Nesta fase, em todos os intervalos de suas atividades diárias, aprimorava seus conhecimentos de outros idiomas, tornando-se um dominador na comunicação oral e escrita do francês, inglês, italiano e o alemão. Sempre conhecido desde estudante como trabalhador metódico, adepto das ações em equipe, sempre querendo saber de tudo, com detalhes, comentando e discutindo. Seu destaque no meio acadêmico, na província baiana, o faz liderar a mobilização de professores e colegas, fazendo surgir a Sociedade de Medicina e Cirurgia e, a de Medicina Legal.
( Para acessar a matéria clique no título )

sábado, 24 de outubro de 2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009


cuti
GOTA DO QUE NÃO SE ESGOTA
do livro Negroesia, 2007
cota é só a gota
a derramar o copo
não a mágoa do corpo
mas energia represada
que agora se permite e voa
em secular esforço
de superar-se coisa e se fazer pessoa
cota é só a gota
apenas nota de longa pauta
a ser tocada
com o fino arco
em mãos calosas

cota é só a gota
a explodir o espanto
de se enxugar no riso
a imensidão do pranto

ela é só a gota
ruindo pela base
a torre de narciso

é só a gota
entusiasmo na rota
afirmativa
que ameniza as dores da saga
suas chagas de desigualdade amarga

cota é só a gota
meta de quem pagou e paga
desmedido preço de viver imposto
e agora exige
seu direito a voto
na partição do bolo

é só a gota
de um mar de dívidas
contraídas
pelos que sempre tornaram gorda a sua cota

cota é só a gota afrouxando botas
de um exército
para o exercício da eqüidade

cota não reforça derrota
equilibra
entre ponto de partida
e ponto de chegada
a vitória coletiva
reinventada.

Poesia de um aluno da APAE

Esse poema foi escrito por um aluno da APAE, chamado, pela sociedade,
de excepcional. Excepcional é a sua sensibilidade! Ele tem 28 anos,
com idade mental de 15.

Ilusões do Amanhã

'Por que eu vivo procurando um motivo de viver,
Se a vida às vezes parece de mim esquecer?
Procuro em todas, mas todas não são você.
Eu quero apenas viver, se não for para mim que seja pra você.
Mas às vezes você parece me ignorar, sem nem ao menos me olhar,
Me machucando pra valer.
Atrás dos meus sonhos eu vou correr.
Eu vou me achar, pra mais tarde em você me perder.
Se a vida dá presente pra cada um,
o meu, cadê?
Será que esse mundo tem jeito?
Esse mundo cheio de preconceito.
Quando estou só, preso na minha solidão,
Juntando pedaços de mim que caíam ao chão,
Juro que às vezes nem ao menos sei, quem sou.
Talvez eu seja um tolo,
Que acredita num sonho.
Na procura de te esquecer,
Eu fiz brotar a flor.
Para carregar junto ao peito,
E crer que esse mundo ainda tem jeito.
E como príncipe sonhador...
Sou um tolo que acredita, ainda, no amor.'

PRÍNCIPE POETA (Alexandre Lemos - APAE)

sábado, 10 de outubro de 2009



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Cristo carregando a cruz, Santuário de Congonhas do Campo
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Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho, (Vila Rica, 29 de agosto de 1730 - Vila Rica, 18 de novembro de 1814) foi um escultor, entalhador, desenhista e arquiteto no Brasil colonial.

Com um estilo relacionado ao barroco e especialmente ao rococó, é considerado o maior expoente da arte colonial em Minas Gerais (comumente chamada barroco mineiro) e no Brasil colônia em geral. Toda sua obra foi realizada em Minas Gerais, especialmente nas cidades de Ouro Preto, Sabará, São João del-Rei e Congonhas do Campo. Os principais monumentos que contém suas obras são a Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto e o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos.

Biografia

Muitas dúvidas cercam a vida de Antônio Francisco Lisboa. Praticamente todos os dados sobre sua vida são derivados de uma biografia escrita em 1858 pelo jurista Rodrigo José Ferreira Bretas, 44 anos após a morte do Aleijadinho, baseando-se em documentos e depoimentos de pessoas que conheceram o artista[1].
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Igreja de São Francisco em Ouro Preto, com uma magnífica portada em pedra-sabão realizada pelo Aleijadinho.


O mais importante dos documentos em que se baseou Bretas foi uma "Memória" escrita em 1790 por um vereador da cidade de Mariana. Neste documento, cujo original se perdeu, é feito um amplo relatório acerca do estado das artes nas Minas Gerais, incluindo alguns dados sobre o Aleijadinho relacionados a sua formação artística e sua participação em algumas obras [2]. Também é mencionado que Antônio Francisco era filho de um afamado mestre-de-obras português, Manuel Francisco Lisboa, que além de construtor atuava como arquiteto[2].

A data de nascimento do Aleijadinho é motivo de controvérsia. De acordo com o biógrafo Bretas, Antônio Francisco nasceu no ano de 1730 em Vila Rica (atual Ouro Preto) na frequesia de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, sendo filho de Manuel Francisco Lisboa e sua escrava africana, Isabel (ou Izabel)[3]. O filho, nascido escravo, foi alforriado no batismo. A certidão de batismo encontrada por Bretas dá a data de 29 de agosto de 1730 para o nascimento de Antônio. As dúvidas derivam do fato de que o nome do pai que figura na certidão é Manuel Francisco da Costa, e não Lisboa, o que poderia ser devido a um erro do escrivão. Outra fonte de dúvidas é a certidão de óbito do Aleijadinho, datada de 18 de novembro de 1814, na qual consta que o artista faleceu aos 76 anos de idade. A confiar neste documento, ele deveria haver nascido em 1738[4].

Antônio Francisco teve um filho natural - fora do casamento - aos 47 anos, a quem chamou Manuel Francisco Lisboa, mesmo nome do avô. Teve também vários meio-irmãos, frutos do casamento do seu pai[5]. Um destes meio-irmãos, padre Félix Antônio Lisboa, também foi escultor.

Formação

Segundo Bretas, Antônio Francisco sabia ler e escrever e poderia haver estudado latim. Sobre sua formação artística, a "Memória" do vereador de Mariana indica que Antônio Francisco teria recebido lições de seu pai e do desenhista e pintor português João Gomes Batista. Também Antônio Francisco Pombal, irmão do pai do Aleijadinho e portanto seu tio, era um afamado escultor e poderia ter participado da educação do jovem Antônio. Os críticos também apontam os escultores portugueses Francisco Xavier de Brito e José Coelho de Noronha como possíveis influências. Com Coelho de Noronha o Aleijadinho trabalhou efetivamente no início de sua carreira, cerca de 1758, nas obras de talha da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso, em Caeté[1][6].

Alguns acreditam que Antônio Francisco poderia haver viajado ao Rio de Janeiro - então capital da colônia - na década de 1770, cuja fervilhante atividade artística também poderia ter influenciado o artista. Não há, porém, provas documentais de tal viagem.

Doença e morte

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Nossa Senhora das Dores, no Museu de Arte Sacra de São Paulo







Na descrição de Bretas, Antônio Francisco era "pardo escuro, tinha a voz forte, a fala arrebatada e o gênio agastado; a estatura era baixa, o corpo cheio e mal configurado, o rosto e a cabeça redondos, e esta volumosa; o cabelo preto e anelado, o da barba cerrado e basto; a testa larga, o nariz retangular e algum tanto pontiagudo, os beiços grossos, as orelhas grandes e o pescoço curto."[3]

A partir de 1777, o artista começou a sofrer os sintomas de uma misteriosa doença que lhe causou deformidades no corpo e que lhe valeram a alcunha de "Aleijadinho". Bretas diz que Antônio sofria dores horríveis e que eventualmente perdeu os dedos dos pés e teve de andar de joelhos. Também terminou por perder os dentes e os dedos das mãos, e suas deformidades teriam feito com que trabalhasse escondido por tendas para que as pessoas não o observassem. Seu escravo Maurício seria o responsável por atar a suas mãos os cinzéis com os quais esculpia[3]. Atualmente se debate que doença poderia ter causado esses problemas ao Aleijadinho, dividindo-se as opinioes entre sífilis, reumatismo, porfíria, hanseníase, lepra e poliomielite[4]. É muito provável que os sintomas devastadores descritos por Bretas sejam um tanto exagerados, uma vez que seria muito difícil que com tamanhas mutilações o Aleijadinho pudesse ter esculpido suas últimas obras em Congonhas do Campo.

Ainda segundo Bretas, o Aleijadinho morreu pobre e abandonado. Nos últimos anos de sua vida viveu na casa de sua nora Joana, que cuidou-o até a morte, ocorrida em 1814. A certidão de óbito encontrada no arquivo da Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias diz o seguinte: "Aos dezoito de Novembro de mil oitocentos e quatorze, falleceo Antonio Francisco Lisboa, pardo solteiro de setenta e seis anos, com todos os Sacramentos encomendado Boa Morte e para clareza fiz passar este assento e que me assigno O Codjor José Como. De Moraes.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009


Abdias do Nascimento
"Sempre que penso em Abdias do Nascimento o sentimento que me toma é de gratidão aos nossos deuses por sua longa vida e extraordinária história fonte de inspiração de todas as nossas lutas e emblema de nossa força e dignidade.
A história política e a reflexão de Abdias do Nascimento se inserem no patrimônio político-cultural pan-africanista, repleto de contribuições para a compreensão e superação dos fatores que vêm historicamente subjugando os povos africanos e sua diáspora. Abdias do Nascimento é a grande expressão brasileira dessa tradição, que inclui líderes e pensadores da estatura de Marcus Garvey, Aimé Cesaire, Franz Fannon, Cheikh Anta Diop, Léopold Sedar Senghor, Patrice Lumumba, Kwame Nkruman, Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Steve Biko, Angela Davis, Martin Luther King, Malcom X, entre muitos outros.
A atualidade e a justeza das análises e das posições defendidas por Abdias do Nascimento ao longo de sua vida se manifestam contemporaneamente entre outros exemplo, nos resultados da III Conferência Mundial Contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância, ocorrida em setembro de 2001, em Durban, África do Sul, que parecem inspiradas em seu livro O Genocídio do Negro Brasileiro (1978) e em suas incontáveis proposições parlamentares.

Aprendemos com ele tudo de essencial que há por saber sobre a questão racial no Brasil: a identificar o genocídio do negro, as manhas dos poderes para impedir a escuta de vozes insurgentes; a nos ver como pertencentes a uma comunidade de destino, produtores e herdeiros de um patrimônio cultural construído nos embates da diáspora negra com a supremacia branca em toda parte. Qualquer tema que esteja na agenda nacional sobre a problemática racial no presente já esteve em sua agenda política há décadas atrás, nada lhe escapou. Mas sobretudo o que devemos a ele é a conquista de um pensar negro: uma perspectiva política afrocentrada para o desvelamento e enfrentamento dos desafios para a efetivação de uma cidadania afrodescendente no Brasil, o seu mais generoso legado à nossa luta."
Sueli Carneiro in Abdias do Nascimento: o Griot e as Muralhas - Biografia de Abdias do Nascimento organizada por Éle Semog



quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Rainha Nzinga
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Na África como nas Américas resistiram á dominação colonial e á escravidão. Foi uma luta marcada por batalhas sangrentas,negociações , atos heróicos e traições. E nos combates dos negros contra o colonialismo português uma mulher se destacou como símbolo de coragem e persistência. Ela foi Nzinga ou Ginga ;como ficou conhecida no Brasil a grande rainha do povo negro de Angola.

Nzinga Mbandi Ngola kiluanji nasceu em 1582, quando Angola (que na época se chamava reino do Ndongo)começava a ser ocupada pelos portugueses. Sua mãe,Guemguela Camcombe,era uma escrava mbundo. Quando Nzinga nasceu os pais-de-santo do reino previram que caso ela chegasse á idade adulta e se tornasse rainha os rios do reino seria seriam inundados pelo sangue de muitas vitimas. Previram também que a nação seria invadida por homens brancos vindos do mar e que haveria doenças, fome, guerras, tristeza, e miséria em Angola. Cronistas da época diziam que a jovem princesa tinha os mesmos olhos sedutores da mãe, "a cor da noite", e o caráter firme do pai, o mais terrível adversário que os portugueses tinham enfrentado ate então. Apesar de filha do rei dos Mbundos, povo que vivia na parte ocidental de Angola (Ndongo), Nzinga descendida por parte do pai mesmo da realeza Jaga, povo da parte oriental de angola (Matamba). Os Jagas, junto com os Mbundos, estiveram na linha de frente da resistência á penetração portuguesa na África. Povo guerreiro, que ataca seus inimigos com falas, lanças, flechas, azagaias e escudos os jagas eram táticos militares que tinham como principal artifício a surpresa. Viviam em acampamentos muito bem vigiados, os quilombos, escolhendo de preferência e cobre adornando os braços e as pernas. Tinha paixão por tecidos e ropuas, trocando de traje várias vezes ao dia e mantendo seus tecelões permanentemente ocupados. Trezentas aias serviram rainha, revezando-se ininterruptamente em grupo de vez. Nos jantares, até oitenta pratos chegavam a ser servidos.

O Estado dirigido por Nzinga tinha uma estrutura burocrática acessível tanto a homens como a mulheres. Os principais critérios para acesso aos cargos e a promoção eram o merecimento e a lealdade. A origem familiar tinha pouca influência. A rainha possuía diversos ministros que a auxiliavam nas atividades de governo. Cada um deles contribuía com servos para o trabalho no campo e ficava encarregado de fiscalizar o trabalho desse pessoal. O reino possuía um sistema de justiça baseado no trabalho de advogados que ouviam as queixas dos clientes e as apresentavam às cortes regionais. Havia ainda um sistema de arrecadação de impostos, que eram pagos pelos sobas. O atraso nesses pagamentos implicava em punições.

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Em 1626, Nzinga deixou sua capital na Matamba oriental e armou seu acampamento de guerra numa ilha fluvial próxima à região de Mbaka, a antiga capital Mbundo. Recomeçaram os combates que prosseguiram por vários anos. Durante todo esse tempo os portugueses não param de tentar convencê-la a tornar-se uma aliada do rei. Mas em 1629, depois de uma batalha, duas irmãs de Nzinga, além de vários ministros, foram capturadas e isso ao mesmo tempo em que ela perdia o apoio de importantes chefes regionais. Nzinga inicia então um bloqueio ao comércio de escravos, fechando inúmeros entrepostos existentes no país. Isso afeta diretamente a vida econômica da colônia, totalmente baseada no tráfico de escravos. Os portugueses decidem então perseguir e capturar Nzinga onde quer que ela estivesse.

Enquanto isso suas irmãs eram recebidas em Luanda com honras de realeza (os portugueses esperavam formar com elas um governo fantoche que concorresse com Nzinga).

Entre 1630 e 1640, Nzinga reconstitui seus exércitos, abalados pelos choques com os portugueses, mas continua mantendo contatos diplomáticos com Luanda. Em 1641, ela recebe a notícia de que os holandeses haviam desembarcado na capital da colônia e entra em contato com eles, fechando um tratado de assistência mútua. Ela esperava contar com a ajuda dos holandeses para destruir a estratégica fortaleza de Massangano, na confluência dos rios Cuanza e Lucala.

Com o apoio dos holandeses e do rei do Congo, Nzinga impõe pessadas derrotas aos portugueses, sem no entanto conseguir tomar a fortaleza. A decisiva batalha final por Massangano foi vencida pelos portugueses em 1648.

O revez de Massangano e a derrota dos holandeses em Luanda mudariam o pensamento da rainha negra, a essa altura já com 66 anos de idade. O cansaço parece ter vencido a velha combatente no final da vida. Ela assina um novo tratado com os portugueses e começa a negociar a libertação de sua irmã Mocambo, o que conseguiria em 1657. A volta da irmã influência Nzinga a voltar ao catolicismo. Sob influência dos padres católicos, a rainha assinaria um último tratado com os portugueses, pelo qual eles se retirariam da parte oriental do reino em troc a da liberdade de comércio (leia- se tráfico) na parte ocidental. Em 1658 ela se casa com um escravo convertido e durante a cerimônia joga fora seu arco e flexa para demonstrar seu empenho pela paz. Depois disso, 1659, lança suas tropas contra o jaga Kalanda, um antigo aliado que recusara o acordo com os portugueses. Kalanda foi derrotado e Nzinga ordenou que sua cabeça, espetada em pau, fosse enviada ao governador português. Seguiram-se anos de decadência física até sua morte em 1663, aos 81 anos, sem herdeiros.

Jagas em Palmares?


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Existem fortes indícios do envolvimento, pelo menos numa primeira fase, dos mesmos povos africanos nas lutas travadas nas selvas de Angola e na serra da Barriga. O impulso inicial para o estabelecimento do quilombo de Palmares parece ter se originado com os bantos, povo proveniente de Angola. Aliás, vale lembrar, que os habitantes de Palmares chamavam a região de Angola  Janga (pequena Angola). Os escravos africanos enviados para o Brasil nesse período vinham na maior parte de Angola. Entre 1575 e 1681 cerca de um milhão de escravos foram embarcados de Angola para o Brasil. A importância de Angola como fornecedor de escravos para o Brasil era tão grande que a própria administração portuguesa desse território esteve subordinada às autoridades sediadas no Brasil.

Mario Martins de Freitas, autor do livro "Reino Negro de Palmares", diz que o quilombo de Palmares começou com a entrada no Brasil dos primeiros negros de Angola, provenientes das tribos jagas. Segundo Freitas, por questão de segurança os portugueses exportavam para o Brasil os jagas belicosos que caíam em suas mãos e teriam sido esses jagas que só admitiam a liberdade absoluta, os instituidores dos primeiros quilombos na serra da Barriga. Esses angolanos, segundo alguns historiadores, trouxeram sua língua, cultura e forma de governo a Palmares. Muitas palavras jagas foram aportuguesadas no Brasil (kilombo, mukambo, samba e gangazumba são apenas algumas delas).

Além disso, de acordo com algumas descrições, a área central do quilombo de Palmares, onde o chefe Ganga Zumba recebia seus hóspedes, era idêntica à corte do rei (ou rainha) de Angola. E, tanto no Brasil como na África, os quilombos eram situados no interior de densas florestas, próximos a escarpas e penhasco íngremes que proporcionavam vista panorâmica da região

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Tour Crítico ao Museu do Ipiranga

Neste vídeo, o professor de História Pedro Ravelli apresenta uma série de pontos de vista alternativos para a interpretação da história do Brasil pré-independência

5 de outubro de 1989 - Dalai Lama recebe o Prêmio Nobel da Paz



Em 1989, o Dalai Lama Tenzin Gyatso, líder espiritual do Tibet recebia o prêmio Nobel da Paz, em reconhecimento por sua luta pacífica de resistência ao domínio chinês sobre o território tibetano.

O Dalai Lama, que vivia exilado na Índia desde 1959, foi informado da premiação nos Estados Unidos, onde participava de um assessor d euma conferência internacional de paz. Reservado, limitou-se a informar, através de seu assessor, que se sentia "satisfeito" Tenzin Gyatso havia sido indicado ao prêmio Nobel da Paz por oito anos consecutivos e desta vez concorria com 20 organizações e 77 pessoas, entre elas o líder negro sul-africano Nelson Mandela, o ex-presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan e o presidente da Fifa, o brasileiro João Havelange.

A premiação foi recebida com euforia e entusiasmo pelos seguidores do líder espiritual na cidade indiana de Dharmasala, no Himalaia, onde o Dalai Lama formou seu governo no exílio. "Ela nos ajudará a reforçar a luta pela independência. Terá um enorme impacto", afirmou Thupten Samphel, assessor do Dalai Lama, em entrevista por telefone à agência Reuters. "Por muitos anos fomos ignorados pela comunidade internacional porque adotamos um movimento de não-violência. Este prêmio é o reconhecimento de que a resistência pacífica é a melhor forma de luta", afirmou.

Ao receber a notícia, Wang Guisheng, conselheiro da embaixada da China em Oslo, sede do comitê organizador do Prêmio Nobel, disse que o sentimento do povo chinês estava "profundamente ferido" com a premiação de Dalai Lama. "As questões tibetanas são só e inteiramente um problema chinês", comentou, acusando os organizadores do prêmio de interferência em assuntos internos da China.

O Deus-rei do Tibete
Tenzin Gyatso nasceu em seis de julho de 1935, filho de uma família de camponeses da cidade de Chinghai, fronteira com a China. Aos dois anos e meio de idade foi reconhecido por monges budistas como a 14º reencarnação de Buda e, aos quatro anos, entronizado como o Dalai Lama, levado para Lhasa e instalado no paradisíaco palácio de Potala. Ali estudou filosofia budista até os 15 anos, quando foi proclamado Deus-rei do Tibete. Atualmente, persiste na sua luta pacífica pela autonomia política do Tibet, invadido pela República Popular da China em 1959.